Estava eu a passear plo que dizem ser a auto-estrada da informação quando me deparei com a seguinte notícia: [O FILME MAIS LONGO DE SEMPRE TERÁ 170 HORAS, TRÊS MIL ACTORES E PROUST ]
Francesa quer filmar a leitura integral de 'Em Busca do Tempo Perdido'.
O filme mais longo de todos os tempos está neste momento em rodagem e quando estiver concluído deverá ter cerca de 170 horas de imagens recolhidas em dezenas de países diferentes e uma ficha técnica com três mil actores. O casting ainda está em curso e quem quiser integrar o elenco tem apenas de cumprir dois requisitos: ter domínio suficiente da língua francesa para ler uma página de texto em voz alta; ter banda larga suficiente na ligação à Internet para suportar uma webcam. O guião são as três mil páginas dos sete volumes de Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust.
A história é a seguinte: a realizadora francesa Véronique Aubouy decidiu criar uma longa e ininterrupta filmagem online em que cerca de três mil pessoas lêem na íntegra, palavra a palavra, o clássico proustiano. O plano da cineasta prevê uma página para cada voluntário (depende das edições, mas três mil são sempre garantidas) que será declamada diante de uma câmara, transmitida em tempo real e gravada.
O projecto começou em 1993, quando a cineasta francesa rodou na Eslovénia a leitura de Do Lado de Swan, o primeiro dos sete volumes, que consumiu 20 horas de filmagens de leitura feita por gente desconhecida. Desde então, o filme avançou lentamente. Nas mais de 131 mil horas que o mundo gastou desde então (o equivalente a 15 anos, mais coisa menos coisa), Véronique Aubouy apenas conseguiu registar 77 de Proust lido, consumindo os três primeiros volumes da obra, que em Junho deste ano apresentou em França. Mas enquanto o tempo passa a tecnologia avança e a francesa acredita agora que, graças à democratização da banda larga, conseguirá concluir o projecto de soletrar os restantes quatro volumes do épico da literatura francesa. O início das filmagens está marcado para dia 27 deste mês, às 12.00 (hora portuguesa).
Ontem ao início da tarde havia já 778 voluntários inscritos no site do projecto (http/www.lebaiserdelamatrice.fr). A grande maioria são franceses (567), mas também por lá se encontram senegaleses e egípcios, tailandeses e vietnamitas, japoneses e brasileiros e, claro, dois portugueses. Na sua maioria são simples curiosos, mas muitos são estudiosos de literatura francesa e da obra de Proust. Todos se propõem aderir ao projecto de Aubouy, cada um sugerindo um cenário de enquadramento para a declamação da página que lhe couber em sorte.
"Espero que estas três mil pessoas sejam gente de todo o mundo, de todos os países, gente de todas as idades, gente do dia, gente da noite. Quero fazer um retrato do mundo e cada pedaço desse retrato será um retrato feito por cada um de vós", explica Véronique Aubouy num pequeno vídeo - feito também ele com uma webcam - no seu site. Tudo somado, estima a cineasta, este imenso voluntariado de leitura resultará em cerca de 170 horas de filme. Uma longuíssima metragem que, além de promover a obra de Marcel Proust e lançar uma ideia de criação artística a uma escala global e sem fronteiras, lança inevitavelmente uma reflexão sobre a passagem do tempo. Nada mais proustiano.
Texto: João Pedro Oliveira in Diário de Notícias | 01 de Setembro de 2008
Pois bem, pelo que percebi, vão recitar a obra de Marcel Proust palavra a palavra. Ficaremos assim com uma longa metragem de 170 horas, que, segundo os meus cálculos, poderemos sentarmo-nos confortavelmente na poltrona de massagens do nosso lar (ou de pernas cruzadas no chão fazendo exercícios de concentração se preferirem) com uma hiper-mega-super-ri-fixe dosagem de pipocas, ficando imóvel por exactamente 7 dias e 2 horas.
Sei que certamente haveria potênciais espectadores, embora poucos. E acredito que pouco tempo depois da estreia, ainda se reclame o record do guinness do tempo que se consegue aguentar a ver a produção por mais tempo seguido. Mas também sei certamente que esses gajos são forçosamente alguma variante do sado-masuquismo.
Com tudo isto, acho que o nosso amigo Marcel Proust é quem ganha mais porque vê a sua reflexão sobre o tempo mais difundida ainda...
Será que o autor da obra só atribuiu o título ao livro no final do o ter escrito? É que é totalmente compreensivel... Depois de todo o tempo gasto para escrever as 3 mil páginas, num acto de revolta e desesperado, atribuísse um titulo referente à sua actividade futura..... É bem feita, serviu-lhe de lição.
I'm becoming less defined, as days go by Fading away, well you might say I'm losing focus Kinda drifting into the abstract in terms of how I see myself
Sometimes, I think I can see right through myself Sometimes, I think I can see right through myself Sometimes, I can see right through myself
Less concerned, about fitting into the world Your world that is! Cause it doesn't really matter anymore (no, it doesn't really matter anymore) No, it doesn't really matter anymore None of this shit really matters anymore
Yes, I am alone but then again I always was As far back as I can tell, I think maybe it's because Because you were never really real to begin with I just made you up, to hurt myself I just made you up, to hurt myself, yeah And I just made you up to hurt myself I just made you up to hurt myself, yeah And I just made you up to hurt myself
And it worked Yes, it did
There is no you, there is only me There is no you, there is only me There is no fucking you, there is only me There is no fucking you, there is only me
Only Only Only Only
Well, the tiniest little dot caught my eye and it turned out to be a scab And I had this funny feeling, like I just knew it's something bad
I just couldn't leave it alone I cut off that scab It was a doorway trying to seal itself shut But I climbed through
Now I'm somewhere I am not supposed to be And I can see things I know I really shouldn't see And now I know why now, and now I know why Things aren't as pretty, on the inside
There is no you, there is only me There is no you, there is only me There is no fucking you, there is only me There is no fucking you, there is only me